O diretor francês
Michel Hazavicius mostrou que veio para quebrar todos os paradigmas e regras que, aparentemente, foram impostas aos filmes. Hazavicius fez um filme mudo e preto e branco, em pleno século 21, e faturou neste domingo, 26, os principais prêmios do
Oscar 2012, que teve cerimônia realizada em Los Angeles, nos Estados Unidos. É bem verdade que
O Artista (The Artist) não era o grande favorito da noite, mas levou cinco prêmios das dez inscrições que teve: melhor filme, ator, direção, figurino e trilha sonora.
Elenco, equipe e o cachorro Uggie reunidos para entrega do Oscar de melhor filme no palco do Teatro Kodak, onde ocorreu a 84ª edição da premiação (Foto: Reuters)
O grande favorito da noite era mais uma vez um longa dirigido por
Martin Scorsese, que ainda amarga a derrota sofrida no Oscar de 2010 quando perdeu a estatueta para sua ex-esposa Kathryn Bigelow. Scorsese, que concorria por seu primeiro filme em 3D
A invenção de Hugo Cabret teve sua criação indicada a onze prêmios dos quais levou cinco: fotografia, direção de arte, mixagem, edição de som e efeitos visuais.
OsPaparazzi mostrou a lista completa com os vencedores do Oscar 2012.
Porém na disputa entre um dos veteranos e super favorito ao Oscar e o visionário que resolveu arriscar em sua criação, quem levou a melhor foi a inovação de Michel Hazavicius. O filme se passa na Hollywood dos anos 20 e conta a história de George Valetin (
Jean Dujardin), um astro do cinema mudo que se recusa a participar de produções faladas. Ele acaba se apaixonando por Peppy Miller (Bérénice Bejo), nova musa do cinema falado. O filme é uma produção francesa e quebrou barreiras nunca superadas antes: foi o filme francês a ter o maior número de indicações e o primeiro a concorrer a estatueta de melhor filme. Aliás na história recente do Oscar os filmes franceses que receberam mais de uma indicação são: "Camille Claudel", indicado duas vezes em 1990, "Cyrano de Bergerac" (cinco vezes em 1991), "Indochina" (duas vezes em 1993), "O fabuloso destino de Amélie Poulain" (cinco vezes em 2001) e "A voz do coração" (duas vezes em 2005).
Quem estrelou a produção francesa foi o também francês
Jean Dujardin, 39, que garantiu também a estatueta de melhor ator e recebeu o prêmio pelas mãos da vencedora de melhor atriz no ano passado por sua atuação em
Cisne Negro,
Natalie Portman. Dujardin venceu de atores renomados e disputou com Demián Bichir, de "A Better Life",
George Clooney, de
Os Descendentes, Gary Oldman, de
O espião que sabia demais e
Brad Pitt, de
O homem que mudou o jogo.
Mas a verdadeira sensação da noite foi o
cachorrinho Uggie, um dos personagens mais marcantes do longa dirigido por Hazavicius; o simpático cachorro apareceu na plateia sentadinho de gravata borboleta e terno, e quando o filme foi anunciado como o grande ganhador do Oscar, Uggie não teve dúvidas e subiu junto com o elenco e equipe do filme.
Com tantos prêmios adquiridos por
A invenção de Hugo Cabret e The Artist (
O Artista) críticos do cinema nacional e internacional já começam a falar em uma nova visão de cinema; alguns até dizem que a magia do cinema pioneiro está renascendo.
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