11/07/2017 22:13

Como educar filhos: as corridas para crianças

Esporte, competição e medalhas: nossos filhos neste mundo desde cedo é o melhor cenário

Pais, Mães e Filhos
Esporte com as crianças
Vale a pena colocar as crianças em competições logo cedo? Ver os filhos pequenos participando de corridas para crianças, disputando medalhas? Estive no dia 25 de junho na corrida “Kids Run 2017”, em São José dos Campos, no interior de São Paulo. E abaixo explico a minha resposta com dicas para esse questionamento de pais e mães aqui no bate-papo "Como educar filhos - Inspiração Para Pais".

Corrida para crianças: vale a pena, sim!

Foi a segunda corrida que a minha filha participou. Ela tem quatro anos de idade. E antes da inscrição, ouvimos mais de uma vez as seguintes conversas: "Nossa, você paga o dinheiro da inscrição para ver o seu filho chorar? Se o meu filho não chegar em primeiro, vai abrir o berreiro com certeza! Acho um absurdo essa rivalidade e competição que já vai gerando na cabecinha das crianças".

corrida para criancas Kids Run
Corrida para crianças em São José dos Campos

Quem tem filhos, sabe bem disso, a verdade é que nós escutamos muitos conselhos e dicas o tempo todo. São consultores, especialistas, a galera adora palpitar. Parece comentarista de futebol, sabe? Todo brasileiro entende, palpita, critica, aquela beleza.

Mas fomos à corrida! A Praça Ulisses Guimarães, no Jardim Aquarius, estava cheia. Um clima muito gostoso, aquele friozinho, famílias reunidas, crianças ansiosas. Só que aqui vem o único parêntesis dessa história. A organização de um evento para crianças precisa cumprir horários. O evento marcado para 9h foi começar quase 10h. Já imaginou a dificuldade para "segurar" a criançada nesse tempo de "recadinho do patrocinador", "mais uma mensagem do fulano de tal", "agora é um oferecimento de Ciclano"? Se começasse às 9h10, após os recadinhos, não haveria nenhuma reclamação.

Quando a corrida começou, foi uma alegria. A rua foi cercada para a disputa de 50 metros, com crianças entre 2 e 4 anos de idade. Ao redor da rua, ficou aquela aglomeração deliciosa. Um clima de torcida. Pais, mães, irmãos, parentes, amigos, todo mundo mandando boas energias para as crianças. Haja celular para não perder nenhum momento. Eu prefiro terceirizar essa questão das fotos, pedindo ajuda aos tios. Porque ali, na adrenalina, o melhor retorno que tenho é acompanhar cada piscadinha da minha filha.

Segurei o choro

Na fila para a corrida, as mãos da minha filha quase suavam de ansiedade. Camisetinha de corrida, boné de corrida, tênis de corrida. Ela estava se achando. Como estávamos com uma prima de 3 anos e com uma amiguinha também de 3 anos, resolvi sugerir a ela para que corresse nessa turma. "Que tal correr por 3 anos? Aí você vai com elas". Ali ela topou na hora. Mas depois da corrida já me deu uma lição: "Pai, não precisava ter mentido a minha idade para a moça. Tinha que falar que tenho 4 anos e que queria correr com a minha prima". Pow! Toma essa lição de moral na cara.

Mas beleza. Chegou a hora da corrida. "Ei, você corre com ela, ok? Ela vai na frente e você acompanha". Ok. Buzina acionada. Lá vai ela correndo... eu vou atrás, rindo, e me surpreendendo com o calor da torcida. Que clima sensacional que ela está vivenciando! Competição, alegria, torcida. Lá pelos 30 metros, reparo que ela disparou na liderança. Caramba, vai ganhar a corrida! Vai, filha! Vai! Corre! Não para, não para!

Meus amigos, a alegria dela ao passar pela faixa é um negócio de outro mundo. Eu nem percebi, mas depois minha esposa comentou: "meu, você dava um gritões animais. Você ganhou, parabéns, ahhh... parecia um doido". Eu nem ligo. Ali endoidei mesmo. Todas as crianças recebendo as medalhas. Ela comemorando, visivelmente emocionada. E aí vem o que me quebrou. Do nada, na torcida, vem um senhor nos apontando. "Essa foi a vencedora, que sorriso lindo. Você correndo foi demais, nossa, eu me arrepiei com essa alegria". Se ele se arrepiou, imagina eu depois de ouvir isso de um senhorzinho com aquela carinha de "vovôzinho do bem"? Rapaz, ali me quebrou.

Saímos da pista, pegamos a medalha, os brindes e o domingão estava ganho. O esporte nunca é "só esporte". É Esporte! Ensina a lutar, treinar, se dedicar, cair, levantar, correr, vencer, perder, dividir, enfim, ensina demais. E emociona demais também!

Críticas, dúvidas, sugestões? Meu contato é jornalismo@ospaparazzi.com.br

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