"Nenhum show pode ser só um show. Tem que ser o melhor show das nossas vidas"

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Pedra Letícia traz de volta o bom humor ao rock nacional

Em entrevista exclusiva, vocalista do grupo confessa: 'devo minha vida ao Youtube'. Conheça essa banda bem-humorada!

A banda “Pedra Letícia" tem animado os lugares por onde passa. Com um repertório criativo e irreverente, o grupo caiu no gosto dos brasileiros e, em somente cinco anos de existência, já alcançou marcas de veteranos. Só no YouTube, os vídeos da banda foram assistidos por mais de 18 milhões de pessoas. Sabe aquela música: "Como que ocê pôde abandoná eu? Se nóis foi sempre siliz"? Este é um dos sucessos do grupo, que já ganha comparações à "Mamonas Assassinas".

Por incrível que pareça, tamanha repercussão foi conquistada na base da diversão e sem nenhum compromisso. Afinal, o “Pedra Letícia” é fruto de um momento descontraído entre amigos, que tocavam nos barzinhos para divertir o público e, principalmente, divertirem a si mesmos.
Banda soma mais de 300 shows em 13 estados do Brasil

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Foto: Divulgação

Após ganharem o reconhecimento como um presente do destino, a banda se empenha para consolidar o sucesso. E, ao que parece, o segredo para conquistar isso é manter o espírito de quando começaram a tocar. Ou seja, fazer shows não apenas por obrigação, mas, acima de tudo, por diversão.

Em entrevista exclusiva ao OsPaparazzi, o vocalista do “Pedra Letícia”, Fabiano Cambota, relembra toda a trajetória do grupo. Um bate-papo imperdível e, como não poderia ser diferente, muito extrovertido. Fabiano fala sobre Danilo Gentilli, dinheiro, bom humor, Mamonas Assasinas, rock, YouTube e muito mais:
Pedra Letícia pode ser comparado ao grupo Mamomas Assassinas?

Pedra Letícia pode ser comparado ao grupo Mamomas Assassinas?

Foto: Divulgação

OsPaparazzi – Quando e como surgiu a banda “Pedra Letícia”?

Fabiano Cambota: Já tocávamos antes de oficializarmos a banda. E eu já tinha tido outra banda que se chamava “Pedra Letícia”. É tudo meio confuso: nós tocávamos em um bar em Goiânia (GO) e começamos a usar o nome na brincadeira mesmo. Quando esse bar fechou, nos vimos obrigados a procurar outro bar para tocar. Foi aí que percebemos que, de fato, poderíamos ser uma banda. Assim nasce o “Pedra Letícia”. São exatamente cinco anos, completados no último dia 11 de setembro. Dia trágico esse, né!

OsPaparazzi – Por que batizaram a banda com este nome?

FC: O nome não tem significado nenhum, e também nenhuma razão de ser. As pessoas esperam uma explicação mirabolante e engraçada para este nome. Elas se decepcionam de cara quando descobrem que o nome não quer dizer nada. Só tirei esse nome de uma música que o Didi (Renato Aragão) cantava errado. A música dizia “Minha pedra é ametista”, e ele cantava “Minha Pedra Letícia”...

OsPaparazzi – Qual era o estilo que vocês tocavam nos barzinhos?

FC: Tocávamos pop rock nacional e internacional. Também alguns clássicos do rock e arranjos vocais para músicas inesperadas. Mas, desde o começo, a gente não levou isso muito a sério, o que tornava o show um momento divertido para gente também. Por exemplo, chegava um bilhete de alguém pedindo Chico Buarquee eu lia - em voz alta - dizendo que a pessoa havia pedido Odair José. E tocávamos Odair. Mas, antes de cantar, eu mostrava o bilhete e perguntava quem havia mandado. A pessoa levantava a mão toda orgulhosa, afinal era Chico, pô! (risos). Depois ela ficava se desculpando com os amigos da mesa. E fazíamos tudo com cara de sério. Então, nesse clima, comecei a tocar no final do show uma música que eu havia feito para cantar nos churrascos com amigos: “Como que ocê pôde abandoná eu”...

OsPaparazzi – A vida que vocês levavam era bem diferente da que possuem atualmente?

FC: Se analisarmos a rotina, mudou bastante. Eu mesmo trabalhava num banco e dava aulas de inglês. Música era só um hobby. Há três anos, passei a viver de música, e há um ano me mudei para São Paulo. Isso altera completamente seu estilo de vida. Mas eu digo que vivo um sonho. Estar em São Paulo, vivendo de música, viajando o Brasil inteiro, mal parando em casa e ainda tenho uma rotina com meus shows de stand-up comedy. É uma correria. E isso é de um prazer que nunca vou conseguir explicar aqui. Mas se engana quem acha que essa vida é fácil ou tranquila. A gente rala mais que tombo de moto. Nossa vida não é feita de glamour nem de festa. Isso é ilusão de cinema. Vivemos dentro de ônibus, avião, van. A galera acha que sempre ficamos em hotel cinco estrelas. (risos) Vai tocar lá no interior do Norte do Brasil, numa cidade de dez mil habitantes... Nem hotel tem, às vezes. Fazemos roteiro com vários shows, em que você sai de um palco e corre para o ônibus para chegar a tempo na outra cidade. Chegamos sem dormir e sem comer. Só que, mesmo quando o “trampo” está pesadíssimo, estamos dando risada e nos divertindo, porque é nosso sonho de moleque. Hoje a minha vida é uma enorme excursão para Porto Seguro.

OsPaparazzi – Por que decidiram criar músicas humoradas?
Grupo ganhou destaque no Domingão do Faustão

Grupo ganhou destaque no Domingão do Faustão

Foto: Divulgação


FC: Não foi uma decisão, na verdade. Sempre nos divertíamos muito no palco e, quando comecei a escrever as músicas da banda, acabou se revelando nosso estilo. Não acho que somos engraçadões. Acho que somos bem-humorados. A primeira música que escrevi para banda foi “Eu não toco Raul”. Se você analisar, não é uma música engraçada. É só a visão bem-humorada de um fato. Esse processo foi natural. Nunca paramos e combinamos: “vamos ser engraçadinhos?”. Acredito que é isso que faz com que nosso humor não seja forçado. O que procuramos fazer também é não nos prender a qualquer rótulo. Não somos nada, e assim podemos fazer tudo.

OsPaparazzi – Você é o compositor da maioria das músicas da banda. Como é o processo para criá-las?

FC: Antes de começar a escrever para o “Pedra Letícia”, eu só havia escrito uma música na vida: “Como que ocê pôde...”. Então, eu nunca tive um método para escrever. Cada música sai de um jeito. O que acontece é que fico normalmente pensando no tema vários dias. Tenho idéias e até discuto com outras pessoas. Daí, quando já tenho tudo mais ou menos formado na cabeça, eu sento e escrevo com o violão ao lado. No primeiro CD, as músicas foram todas minhas. Mas, já para o próximo, fui procurar parcerias com amigos, principalmente da comédia. O Gus Fernandes, o Danilo Gentilli, o Renato Tortorelli, o Thales Augusto. Comecei a escrever com eles, porque assim eu evito a chatice de começar a me repetir. Quero que o segundo CD traga coisas interessantes, sem parecerem repetitivas.

OsPaparazzi – O sucesso da banda começou quando vocês divulgaram no YouTube a música “Como que ocê pode abandoná eu?”. Qual era a expectativa e a intenção de vocês quando postaram esse vídeo?

FC: O primeiro vídeo que apareceu no YouTube não fomos nós que postamos. E esse vídeo começou a ser bem assistido. Daí vimos que havia espaço para colocarmos outros vídeos. Mas tudo meio na intenção de mostrar a música, sem muita expectativa. Confesso que hoje eu devo minha vida ao YouTube (risos).
'Confesso que hoje eu devo minha vida ao YouTube'

"Confesso que hoje eu devo minha vida ao YouTube"

Foto: Divulgação

OsPaparazzi – O sucesso desse vídeo deve ter sido como um boom para a carreira de vocês, já que, a partir dele, passaram a ser conhecidos. A fama era algo que vocês planejavam? E como reagiram quando ela chegou?

FC: Acho muito fuleiro alguém “planejar” a fama. Não tínhamos nem noção de onde isso iria dar. Só queríamos nos divertir e tocar. Claro que, quando a coisa vai se profissionalizando e fica séria, você passa a ter obrigações. Mas é só não perder essa veia da diversão. Queremos nos divertir e divertir os outros. Ter sucesso com isso é legal, mas sucesso é resultado do seu trabalho. Sucesso e fama são diferentes. O cara pode ser famoso sem ter sucesso. O Fernandinho Beira-Mar, por exemplo, está preso e não tem sido um sucesso, né. Mas ele é famoso. Quem ficou em terceiro lugar no BBB não faz sucesso, mas é famoso. Eu quero sucesso! Ver a galera cantando as músicas, dando risada. Por isso a gente é tão natural, tão normal. Sempre que vejo uma fã gritando, chorando, tremendo quando vem tirar uma foto, eu já quebro aquele clima de estrela. Acho ridículo isso. Quando vamos para uma cidade, ficamos amigos mesmo da galera. O mesmo fã que parecia meio nervoso quando te viu pela primeira vez, percebe que é uma enorme besteira tudo isso. Que nós somos bobos e tontos, como todo mundo. Vamos para churrasco na casa do fã, jogamos vídeo-game, futebol... Você percebe que o fã já virou amigo quando ele começa a te xingar: “Chuta pro gol, Cambota lesado!” (gargalhadas)

OsPaparazzi – Vocês também venceram uma disputa do “Garagem do Faustão” por escolha do público. Como foi ter participado deste quadro?

FC: Mais uma coisa meio por acaso. Uma fã colocou o vídeo no site da “Garagem do Faustão”, e ele acabou sendo muito votado. Fomos parar no programa e caímos na graça do próprio Faustão, que adorou as músicas. O combinado era tocarmos duas músicas ao vivo. Tocamos seis e ainda conversamos um monte. Ele foi um padrinho para gente, por pura simpatia pela banda. Com isso, deixamos de ser uma banda exclusiva da galera da internet. O volume de pessoas no show acaba aumentando bastante. Você fica até mais bonito. Agora só falta ganhar dinheiro. (risos)

OsPaparazzi – Em outras entrevistas, vocês disseram que enfrentam comparações com o Mamonas Assassinas. Como lidam com essa situação?

FC: Depende de como é feita a comparação. Se a comparação é feita de uma forma carinhosa, achamos o máximo, por termos sido fãs deles também. É um humor totalmente diferente, mas acho natural que as pessoas procurem substitutos, até pela forma como eles se foram. O que nos chateia é quando comparam induzindo ao pensamento de que estamos procurando brecha ou nos aproveitando. Isso é muito tonto. Acontece que nossa influência maior é a do rock dos anos 80, e a deles também era essa. O rock dos anos 80 era bem-humorado. Mesmo as bandas sérias tinham músicas muito engraçadas. Paralamas, Titãs e Legião Urbana, por exemplo. Pode olhar a discografia deles e você perceberá um bom humor latente. Sem contar os que faziam as coisas mais engraçadas mesmo, tipo: Léo Jayme, João Penca, Dr. Silvana... Uma coisa nos deixou muito honrados e felizes: a irmã do Júlio Razec, que era tecladista dos Mamonas, nos mandou um e-mail mega carinhoso falando que adora a banda e que também acha que não tem nada a ver a comparação. Disse que trouxemos de volta o bom humor ao rock nacional. Depois disso, ficamos mais sossegados com a comparação feita pelas pessoas.

OsPaparazzi – Além da letra das músicas, o que mais vocês tentam fazer como um diferencial da banda “Pedra Letícia”?

FC: Buscamos uma sonoridade que seja facilmente identificada como “Pedra Letícia”. E procuramos não ter muito compromisso com a seriedade do palco. Brincamos, nos divertimos, zoamos muito, principalmente com a gente mesmo. E acho que nossa outra característica mais marcante é o “anti-popstarismo”. Queremos ser os mais próximos da galera que conseguirmos. O rock perdeu muito com esse mito de que o popstar e o rockstar são inatingíveis. Eu quero é misturar!
'Nenhum show pode ser só um show. Tem que ser o melhor show das nossas vidas'

"Nenhum show pode ser só um show. Tem que ser o melhor show das nossas vidas"

Foto: Divulgação

OsPaparazzi – Quais são os sonhos da banda?

FC: Viver assim para sempre! Não precisa de nada mais...

OsPaparazzi – Em 07 de outubro vocês tocarão na “Estância Nativa”. O que o público pode esperar para este show?

FC: Temos visto uma galera grande falando do show, e isso nos deixa ansiosos e põe uma responsabilidade também, né! Não podemos decepcionar. Mas nossa ordem é sempre diversão. A gente diverte vocês, nós nos divertimos e vocês nos divertem. São duas horas e pouco de mergulho num universo paralelo: sem conta para pagar, sem ex-namorado, sem prova para fazer, sem compromisso... É para pular, gritar, cantar, dar risada, pagar mico... Nenhum show pode ser só um show. Tem que ser o melhor show das nossas vidas. E o melhor show é sempre o que está por vir. É o que nós esperamos.

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