Rafael Cortez em entrevista ao Paparazzi

Priscila Prade/ Divulgação

Rafael Cortez revela por que saiu da Globo em entrevista

Entrevistamos o comediante que teve 10 anos de contrato na TV aberta, após surgir no CQC. Veja opinião de Rafa sobre o momento da televisão

Rafael Cortez estreou no CQC aos 31 anos de idade. Ganhava ali uma repercussão nacional com o humorístico da Band na TV aberta. Desde a estreia, em 2008, o comediante, músico e apresentador somou 10 anos de contrato em três canais abertos da televisão. Passou por Band, Globo e Record. Na Globo, ele revela, pediu para sair antes do encerramento do Vídeo Show.

A entrevista exclusiva segue a seguir. E com opção para escutar (ouça abaixo). Com propriedade e experiência, Rafael Cortez opina sobre a qualidade da TV aberta na atualidade. Também fala sobre seus projetos de carreira na internet – com possibilidade de retorno para a televisão. E ainda como está sua rotina durante a quarentena do coronavírus.

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Entrevista de Rafael Cortez em OsPaparazzi

Destaques: saída da Globo; crítica à TV aberta com artistas que participam de realiyis dançando no gelo ou cozinhando (vale lembrar que ele participou do Super Chef, no Mais Você, de Ana Maria Braga, e também do Popstar, reality show de música; o que incomoda o Rafael Cortez na televisão; um arrependimento na carreira; projeto para voltar após pandemia; reflexões sobre momento da quarentena.

Rafael, começo falando dessa crise. Como está sua rotina neste momento difícil? Artistas estão sofrendo pela ausência de palcos.
Rafael Cortez tocando violão na quarentena

Rafael Cortez tocando violão na quarentena

Foto: Priscila Prade/ Divulgação


Rafael Cortez - Fácil não está. Acho que sou muito privilegiado em relação à maior parte das pessoas. Porque estava já num processo de quarentena. A minha carreira me trouxe para um momento de confinamento. Porque desde que eu não renovei, por livre e espontânea vontade, com a Rede Globo, que eu tenho focado na minha carreira e nos produtos que eu crio. Estou bastante na minha casa, bastante em home office. A pandemia veio e me pegou acostumado já com isso. Muito da minha criação passa por essa solidão também. Antes de ser comediante, era músico de violão solo. Então eu passava muitas horas estudando sozinho no quarto, fiz muitos recitais assim. A prática do stand-up comedy também é uma coisa solitária. E tenho outra vantagem: eu sou um cara que não tenho uma vida cara. Aprendi a viver com o que tenho. Não comprei mais do que possa administrar. Fiz minha reservinha. Não imaginava que a gente ia viver isso hoje. Mas já que estamos vivendo, estou com a cabeça no lugar.

Outra questão é que eu nunca menosprezei a pandemia. Sempre achei que seria grave. Mesmo. Minha alternativa foi criar conteúdos remotos. Antes da live ser modinha, eu fui um dos primeiros caras a encarar a atividade de live como principal. Estou na 11ª semana de conteúdos fixos de lives artísticas. Seja de música, comédia, bate-papo, conteúdos infantis, contar histórias, produtos para melhor idade. Já fiz de tudo. E não parei desde então. Está sendo difícil, mas sigo produzindo muito conteúdo. Antes minha rotina era o teatro no bar stand-up. Agora faço aos domingos no meu Instagram. Por aí eu vou.

A carreira de Rafael Cortez (ouça)



Nessa pausa, você chega a fazer uma avaliação da sua carreira? Foram muitos trabalhos bacanas na TV. O crescimento nas redes sociais, canal no YouTube. Tem alguma coisa que se arrepende?
Rafael Cortez Record

Rafael Cortez na Record

Foto: Divulgação


Rafael Cortez - Olha, a minha carreira até hoje foi uma carreira bacana. Eu considero que tive muita sorte de ter 10 anos seguidos de contrato em TV aberta. Já num momento em que a televisão brasileira estava respirando por aparelhos. Tive muito privilégio porque de 2008 a 2018 eu fiquei amparado por contrato televisivo. Band, Globo, Record. Foram 10 anos. Eu fui muito feliz. Foi uma carreira muito bonita até aqui. Em algum momento eu fui muito raçudo, corajoso. Porque optei por abrir mão de renovar com a Globo, que é a maior emissora do Brasil. Eles me convidaram para mais um ano de Vídeo Show, e eu falei que não queria mais. Porque já sentia que o programa estava indo para um caminho que não me agradava.
Rafael Cortez
Rafael Cortez avalia carreira em biografia

Paparazzi entrevista comediante e músico Rafael Cortez com exclusividade; ouça

Eu não gostava de me ver mais no Vídeo Show. Eu saí e fiz bem, porque um ano depois o Vídeo Show acabou. Ia ser uma coisa ruim pra mim. Então acho que fui muito beneficiado. Fui corajoso para seguir no caminho independente, empreendedor, que é um caminho muito difícil. Particularmente, tenho muito orgulho da minha carreira. Algumas pessoas diriam: “ah, sua carreira decaiu. Você já foi um apresentador de programas milionários da Record, apresentador do Vídeo Show na Globo. E hoje você não está na TV aberta”. É verdade. Pode ter caído nesse sentido, sim, mas subiu em outro, que é o de ser empreendedor. De 2018 pra cá, tirei da gaveta vários projetos pessoais. Lancei Música Divertida Brasileira, que é um projeto de releitura das músicas engraçadas da MPB em versão pop rock. Eu fiz um disco de MPB chamado Naquele Tempo. Fiz o primeiro talk show que se passa numa faculdade. É assim: os estudantes de Comunicação da faculdade trabalham com a gente, numa releitura do Programa Live, mas bem empreendedor, bem diferenciado. Estava caminhando para levar esse projeto para a TV aberta, mas, infelizmente veio a pandemia e eu, assim como muitos, me ferrei. Então acho uma carreira legal.
Rafael Cortez no Vídeo Show na Rede Globo

Rafael Cortez no Vídeo Show na Rede Globo em entrevista para Aline Prado

Foto: Reprodução/ TV Globo


E um arrependimento? Eu me arrependo de ter trabalhado tanto tempo nos bastidores. Porque as pessoas me conhecem de 2008 pra cá, quando tinha 31 anos de idade e comecei a fazer o CQC. Mas minha carreira começou com 17 anos. Trabalhei muito nos bastidores de TV, fui produtor, assessor de imprensa de teatro, trabalhei nos bastidores de circo. Tinha medo de me aventurar e subir no palco. Porque naquela época o dinheiro fixo vinha dos bastidores. Então eu fui arregão. A partir de 2003 que comecei a colocar as caras. Falei: agora quero ser artista! Fiz teatro infantil, teatro evangélico, projeto em escola, fui tocar em restaurante. Mas deveria ter começado antes. Deveria ter sido menos bundão. Esse foi meu arrependimento.

O que mais te agrada acompanhando televisão hoje?

Rafael Cortez - O que me agrada em TV ainda é humor, aquele que dá uma provocadinha, que tira você da zona de conforto. Que faz você pensar. Não o humor de tipos, de personagens. Esses sitcoms eu acho terríveis. Tem uns que estão aí em cartaz até hoje que acho pavorosos. Não vou dizer nomes porque tenho colegas trabalhando nisso. Dou graças a Deus de não fazer. Agora o humor como o CQC fazia, eu sinto falta. Sinto falta do humor da TV dos anos 80, a TV Pirata. Mas fico feliz quando vejo Marcelo Adnet, Marcius Melhem. O Tá No Ar é um programa inteligente, legal. Gosto disso, desse tipo de projeto na TV.

O que mais te incomoda na televisão?

Rafael Cortez - O que me incomoda é essa nova mania que as TVs abertas têm de colocar seus talentos para fazer outras coisas. Estava me incomodando muito no final do meu contrato. Quero ser usado como apresentador e humorista. Não quero cozinhar. Aprender a dançar, dançar no gelo. Essa escravidão de realities, isso é meio triste. Ver grandes apresentadores, humoristas, atores, tendo que aprender a dançar, patinar no gelo, cozinhar. O que mais? Essa corrente de reality de outras áreas cansa. Usando pessoas que não aparecem mais na TV se não for isso. Isso me incomoda bastante.
Rafael Cortez cozinhando no Super Chef do Mais Você de Ana Maria Braga

Rafael Cortez no quadro Super Chef do Mais Você de Ana Maria Braga

Foto: Reprodução/ TV Globo


Playlist: músicas, livros

Você sempre mostrou um lado muito cultural, artístico. Na literatura, na música. O que tem tocado na sua playlist? E quais livros você recomendaria?

Rafael Cortez - Agradeço o elogio. Ser um cara cultural é meio que uma obrigação em tempos tão difíceis, tempos tão idiotas, de tanta ignorância. Acho que temos obrigação de ler, adquirir conteúdo. Mas vou te confessar uma coisa: atualmente estou mais engajado em produzir conteúdo do que em engajar conteúdo. Filmes, séries, tenho assistido muito pouco. Agora o tanto que estou produzindo... nossa!

Tenho duas playlists que gosto muito. Uma chama Rafa Cortez Playlist Dos Sonhos, que tem tudo que eu gosto de música na vida. E uma chama Pis Sítio, que são as músicas que ouço no sítio. Aí é violão clássico, Nara Leão, Fabio Zanon, gosto muito de música boa. Livro que eu li o último foi a biografia da Dolores Duran, escrita pelo Rodrigo Faour.

Sobre os seus projetos, o que poderia adiantar para os fãs? O que vem por aí?

Rafael Cortez - Projetos estão em ponto de espera. Como todo mundo. Sou um cara cheio de projetos, mas estou esperando a pandemia. Tem que acabar a quarentena na hora certa e de maneira lúcida, consciente. Não é sair e enterrar um monte de mortos. Tem que sair na hora certa. Espero que na saída eu consiga colocar de volta, no eixo, os projetos que estavam sendo trilhados. Fazer meu programa dentro de uma faculdade. O The Live Show, que foi transmitido pelo UOL. Estava indo para TV aberta como Programa do Cortez. Espero poder mostrar pra vocês. Mas na hora certa. Sigo negociando. Espero também ficar em cartaz com meu novo show de comédia stand-up e poder viajar também. É um projeto que só fala de isolamento social e que está nascendo via lives na quarentena. Quero poder cantar as músicas que compus. Gravar um novo disco. Esses são os meus projetos. Retomar o Web Treta, com novo nome e novos conteúdos. Enfim, tem muita coisa.
Canais de Rafael Cortez no YouTube

Canais de Rafael Cortez no YouTube

Foto: Reprodução/ YouTube


Para encerrar, tem alguma mensagem, poesia, algum escrito que gostaria de compartilhar para inspirar nossos leitores neste momento?

Rafael Cortez - Tem que aceitar esse momento que estamos vivendo. E tentar fazer essa fase da melhor forma. Temos que sair melhores. Hoje temos menos liberdade, menos autonomia, vai demorar pra viver a vida que a gente vivia antes, poder ir e vir. Vai demorar pra batucar numa mesa de barzinho, aglomeração. Vamos voltar pra sociedade mais duros, mais gordos, mais bêbados, mais deprimidos. Já que temos essa desvantagem, vamos tentar voltar melhores. Sair dessa quarentena melhor. Minha dica é vamos produzir conteúdo. Pode ver todas as séries, novelas, livros, programas, pode também produzir conteúdo, escrever, compor, criar. Usem a quarentena para evoluírem como produtores de conteúdo. É o que nos cabe. Um abração!

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