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Aline Oliveira

Mães, o que fazer quando se sentir culpada?

Veja dicas e reflexões para o sentimento de culpa que pode bater mais forte agora no período da quarentena

Por Aline Oliveira, publicado em 09/06/2020 e atualizado há 2 meses.
Converso e interajo com muitas mães todos os dias. Seja virtualmente ou pessoalmente. E o sentimento de culpa, devemos admitir, sempre acaba pintando. Mães que se sentem culpadas porque estão trabalhando muito. Mães que se sentem culpadas por qualquer que seja o motivo. Por isso decidi escrever este texto sobre culpa materna. Pesquisei dicas de especialistas. E deixo aqui a minha reflexão. Em tempos de quarentena, a culpa está maior ou menor por aí?

Maternidade e culpa

Muitas vezes não existe cobrança. Mas a culpa está ali, pronta para nos cutucar. Por que sentimos essa culpa? Costumo dizer que isso começa a acontecer assim que engravidamos. Por exemplo, na gravidez: não vou comer isso porque pode dar problema para o bebê. Na amamentação: se eu comer esse chocolate e o meu bebê tiver cólica?

Sim, o medo e a culpa andam lado a lado quando falamos de filhos. Um consolo que já adianto é o seguinte: você não está sozinha nesta reflexão.
Converse com outras mães e desabafe. Você perceberá que todas, em algum momento, já passaram por esse sentimento de alguma forma.
Aline
Há também a cobrança social. A mulher é cobrada, mesmo que indiretamente, para que dedique mais e mais tempo na criação dos filhos. A verdade é que a decisão cabe somente a ela mesma. Se vai voltar a trabalhar, se vai colocar cedo os filhos na creche, se vai deixar de trabalhar. Cada uma sabe o que faz da sua vida. Cada uma faz as suas escolhas. Com responsabilidade e entendendo as consequências.

Mãe sem culpa. Com escolhas responsáveis e consequências

Essa é a minha definição. Escolhas e responsabilidade. Deixa a culpa pra lá :)

Mas, voltando ao tema... quando você sai sozinha e tem filhos, qual é a primeira pergunta que te fazem? Cadê as crianças?

Sim, essa pressão da sociedade está aí.

Quarentena e a escola


Em tempos de isolamento social, eu não posso me sentir culpada por ter que trabalhar tanto em casa. Porque essa foi a minha escolha. E trata-se de uma escolha responsável. Eu prefiro ter tempo de qualidade com meus filhos.

Mais qualidade.

Menos quantidade sem afeto, menos quantidade olhando o celular.

Como professora, recebo muitas mensagens de mães preocupadas com o desenvolvimento pedagógico do filho tendo aula em casa. Esse é um outro tipo de culpa ou cobrança. Não escolhemos passar por isso, mas tenho certeza que agora você conhece bastante a rotina e o comportamento do seu filho nas aulas, mesmo que não seja no ambiente escolar. De alguma forma aprendemos a lidar com isso, então não se culpe. Não se cobre. Se ele não está aprendendo tudo agora na escola, ele está desfrutando de algo que anteriormente não tínhamos tempo. Os filhos estão almoçando juntos com a família, têm conversas mais longas com irmãos ou pais, assistem filmes juntos, enfim, o relacionamento familiar aumentou. É preciso desenvolver a paciência neste momento, porque não saberemos até quando passaremos por isso.

Você não é menos mãe porque não brincou o dia inteiro com os filhos. Precisamos entender que estamos oferecendo a eles o que podemos no momento. Entendi que para que a balança seja equilibrada, devo oferecer um tempo de qualidade à minha família. Não importa o quanto seja. Mas quando acontecer, esteja verdadeiramente presente.

Mães que se sentem culpadas não conseguem educar

Em vídeo publicado no YouTube, a psicóloga e pedagoga Betty Monteiro fala sobre esse sentimento de culpa. A palestra é bem interessante. Destaco aqui um ponto comentado por ela: 'A culpa impede essa mãe ou esse pai de educar. Pais culpados, mães culpadas, não conseguem educar. Porque não conseguem dizer não. Ah, tadinho. Ah, que peninha dele, eu não consegui brincar com ele hoje. Aí você cai no erro, no extremo oposto. As mães se culpam muito quando acham que não estão dando amor suficiente pro filho, quando acham que estão ausentes (...) Faça um sistema de colaboração mútua. Esse é o grande segredo. Chegar em casa e ser mãe. Transformar o tempo que pode estar com o seu filho no melhor momento da vida de vocês', declarou.

A culpa da mãe que trabalha muito

O psiquiatra Nélio Tombini também abordou esse tema em seu canal no YouTube. Ele dá um depoimento pessoal bem forte sobre culpa. Vou resumir aqui: Tombini perdeu a mãe em um acidente. Ele estava com o pai no hospital. E insistiu para que a mãe fosse à praia. Insistiu mesmo. A mãe não queria relaxar. E ele quase 'obrigou'. No trajeto para a praia, a mãe sofreu o acidente. Já imaginou o sentimento de culpa dele nessa situação? Pois o Nélio conta que não sentiu culpa alguma

'Se eu me sentisse culpado, estaria abatido, deprimido. Não temos essa bola toda para definirmos os destinos das coisas, não', explicou o psiquiatra.

A origem do sentimento de culpa e uma dica para sair dessa

O sentimento de culpa e seus prejuízos. Ainda segundo o psiquiatra, a origem desse sentimento está também na religião. 'Ele está dentro da nossa alma. Carregamos isso desde sempre. É estimulado pela cultura, pelas religiões, pela sociedade. É uma invenção, de certa forma, judaica cristã. Um deus era muito rigoroso, cobrador, exigente. Foi por aí que surgiu. Então, quem seguia esse deus, por mais que fizessem o bem, nunca era suficiente para irem ao céu. Então pagavam penitências. Sentiam essa culpa'.

Com os pais, também é assim: 'Sou culpado, porque meu filho fez um mau casamento? Isso é muito arriscado. Porque não temos essa bola toda, não. A grande diferença que gostaria de oferecer como dica, seria o contraponto. Chama-se sentimento de responsabilidade. Sou responsável pelas minhas decisões. Poderão trazer prejuízos, dificuldades, mas isso não tem nada a ver com culpa', resumiu o psiquiatra.

Chega de culpa? Chega, né?

Veja mais notícias de Pais e Filhos, e o meu contatoé aline@ospaparazzi.com.br

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Publicado Por Aline Oliveira
Formada em Pedagogia, Aline Oliveira, atua como professora do ensino fundamental desde 2002. Da experiência da maternidade nasceu a paixão por escrever para mães. 'Paixão pela arte de educar. Paixão por aprender. Com amor, tudo fica mais leve.' Veja mais informações
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